Recife é um museu a céu aberto. Suas ruas e pontes foram cenários de acontecimentos importantes na história do país. Mas além de contar com esses espaços que, por si só, narram parte do passado de Pernambuco e do Brasil, a cidade ainda possui cerca de 20 museus. Alguns têm cunho histórico, como o Memorial de Justiça do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), outros são em homenagem a alguma personalidade, a exemplo O Memorial Luiz Gonzaga, no Pátio de São Pedro, bairro de São José. E ainda há os de cunho artístico como o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MMAM), na rua da aurora, bairro da Boa Vista.
De acordo com historiador José Armando, os museus são importantes já que possibilitam formas diferenciadas de se abordar os assuntos. “A ida a um museu estimula a aprendizagem de maneira dinâmica. Nesse espaço, as descobertas acontecem espontaneamente enquanto o visitante conversa sobre os assuntos da exposição”, afirmou.
José Armando também destacou a importância de museus que conseguem mesclar suas exposições com questões sociais atuais, como o Museu da abolição, que motiva os visitantes a debaterem sobre a cultura afrodescendente no Brasil. “ É importante fazer o visitante debater sobre o que estão aprendendo, é dessa maneira que conhecimento extrapola os limites do museu”, concluiu.
Museu da Abolição
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| O Museu da Abolição/ Créditos: Bianca Luna |
O museus trata, especialmente, de temas relativos às matrizes africanas e da luta pela igualdade e oportunidade dos negros no País. O lugar apresenta exposições de longa e curta duração. Segundo a diretora do museu, Maria Elizabeth, a importância do lugar vai além do cunho histórico. “O Sobrado é uma obra artística, com decoração que remete ao século XIX se utilizando de traços do neoclassicismo. O museu é completamente decorado com azulejos portugueses”, afirmou.
No espaço, ainda há um estúdio de música que fica a disposições de bandas que precisam ensaiar. O Laboratório de Experimentação Musical do Museu da Abolição (L.E.M.M.A) é cedido gratuitamente aos interessados. “As bandas podem marcar ensaios até duas vezes ao mês. Aqui não há distinção de estilos. Essa é mais uma preocupação do museu com a cultura”, conclue a diretora. O auditório também pode ser reservado para eventos.
O público do museu é formado, em sua maioria, por estudantes, em visitas agendadas pelas escolas, visitantes comuns, usuários do L.E.M.M.A e pessoas que utilizam o auditório. As maiores médias de público são registradas no mês de maio, por causa da comemoração da abolição da escravatura, no dia 13, e em de novembro, no dia 20, pelo dia da Consciência Negra. Desde o ano de 2010, o MAB abriga a "exposição em processo" para comemorar essa data.
Exposição em processo
No dia 20 de novembro de 2010, foi inaugurada a exposição em processo para celebrar o dia da Consciência Negra. O material apresentado foi produzido de maneira coletiva, envolvendo a participação de representantes de diversas instituições culturais e religiosas, técnicos de museus, professores, estudante e cidadãos em geral. Na época, o museu ainda não tinha ajuda governamental e a exposição foi feita em papelão.
O material está distribuído em seis salas. A exposição conta a história da África, explicando o processo de colonização no continente até os dias atuais. Os visitantes ainda aprendem sobre os elementos da cultura afro, como os trajes que são utilizados nos cultos de candomblé e assentamento (uma espécie de altar) para os orixás, por exemplo. Alguns nomes importantes da cultura também são homenageados, como o Mestre Luís de França, um dos responsáveis pelo maracatu Leão Coroado.
| Questionar é preciso Créditos: Bianca Luna |
A estudante de jornalismo, Devanyse Mendes, visitou o museu duas vezes e afirma que ficou feliz com as experiências. “Fui ao Museu da abolição com meus amigos e gostei bastante do que vi. O importante é que além de aprender sobre a África e a cultura negra, ainda somos motivados a debater. É a partir dessas conversas que muitos preconceitos são quebrados”.
| Escultura trazidas da África do Sul Créditos: Bianca Luna |
| Roupas usadas em cerimônias religiosas Créditos: Bianca Luna |
Serviço: Museu da Abolição
Endereço: Rua Benfinca, 1150 - Madalena Recife - PE
Telefone: 3228-3248
Horário de Visitação: Segunda a Sexta - 9h às 17h/ Sábado - 13h às 17h.
Entrada gratuita
"Equipe Olharecifense"

Muito bom, quero ir visitar esse museu.
ResponderExcluirEstão convidados!A visita será maravilhosa!
ExcluirCorrigido! Bom trabalho!
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